segunda-feira, 20 de outubro de 2008

padaria na esquina.

Os dois se sentaram à mesa para jantar,como sempre.A televisão ligada no noticiário e os olhos nem se cruzavam mais,antigamente não era assim.Nenhuma palavra solta,só o barulho das talheres e resmungos de um ou de outro por causa de algum comercial que estavam ouvindo,sem prestar muita atenção.Por mais que quisessem disfarçar,a situação já estava saturada...sobre o relacionamento não era diferente,terminaram o jantar juntos e foram colocar a louça na pia,como sempre mas acabaram se esbarrando de uma forma meio brusca o que fez com o que se olhassem,da mesma forma que antigamente.Os dois entenderam o olhar do outro."Por quê?" Ele coçou a cabeça,olhando para o chão..."Eu não sei..."
Foi quando ela resolveu descarregar tudo aquilo,jogou seu prato no chão,tornando-o apenas estilhaços com flores da louça espalhadas pelo chão da cozinha,ele começou a gritar coisas horriveis e ela também..passaram a madrugada toda assim.Ele acabou adormecendo depois de um tempo no sofá,o quarto estava trancado...quando sua mão começou a chacoalhar e não era por sua culpa,era ela.
"Ei,acho que a padaria na esquina está abrindo agora..."
Ele não sabia exatamente o que estava acontecendo,não quis entender.."Mas são quatro horas,bem..você quer ir?Não vai ser estranho?"
"Não...podemos ser só duas pessoas que gostam de pãezinhos quentes."

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

é...

Você estava bonita como em todos os outros dias mas com uma certa indiferença à meu respeito.Sou orgulhoso e dei de ombros,continuei o que estava fazendo quando vi você passar.
Depois de algum tempo alguém me chamou em um outro canto e fui na direção da pessoa e vi você sentada no banco sozinha me devorando com os olhos e um sorriso de orelha à orelha.Até perdi a vontade de saber o que a pessoa que me chamava queria tanto me dizer,fui a seu encontro.
'O que foi?' -perguntei querendo rir - você não tirava o sorriso do rosto,fez sinal para que eu me sentasse à sua frente.Estava te achando meio estranha mas fiz o que pediu com os olhos,me encarou por uns 2 minutos sem dizer nada e sorrindo como se fogos de artifício ocupassem o céu todo.Me puxou pra perto e com o rosto encostado ao meu,me provocando disse várias vezes que me odiava com uma risadinha depois do ultimo 'te odeio'.
Não entendi absolutamente nada do que estava acontecendo mas estava gostando.Você não se cansava mesmo de me mostrar os dentes e disse sem o mínimo de modéstia que a educação pede que eu te amava,e que eu iria descrever esse momento aqui mesmo.

te odeio

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

4h pm

Às quatro horas o mundo para de girar.
Às quatro horas o sol demora a descer,e o azul do céu é só mais uma cor no meio de tantas outras misturas que surgem de repente diante dos olhos de qualquer desocupado.
Desocupados que se contentam em ocupar o fim da tarde com a inércia em algum canto que lhe pareça confortável.
Meu tipo de desocupado,com a minha sinfonia de grilos e asas de besouros que acompanham meus pensamentos levianos sem meio.
Com a desculpa de que o sol faz doer meus olhos eu os mantenho fexados,sentindo o ar entrar e sair de mim sem pressa nem preocupação alguma,por que teria?
A mesma brisa vagarosa e sonolenta que agora acaricia meu rosto já alisou o seu também,em alguma ocasião e de alguma forma nós nos encontramos sem querer,em tempo e circunstâncias diferentes mas nos encontramos.
Às quatro horas eu me sinto livre,dentro de mim mesma.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

aurora boreal

O nome finlandês para a aurora é revontulet, que significa fogos de raposa. De acordo com a lenda, as raposas feitas de fogo viviam na Lapónia,e revontulet eram as faíscas que elas arremessavam para a atmosfera com seus rabos.

sábado, 26 de julho de 2008

ângulos

Abriu a janela que ficava em frente à sua escrivaninha com força,estava no meio da madrugada tentando entender aquela maldita matéria que poderia comprometer todo o seu desenvolvimento naquele ano letivo.Dava murros na mesa,enfiou a cabeça no meio do travisseiro e gritava...como se fosse incapaz de entender tudo aquilo como se exigisse demais de si mesmo,era apenas um surto (bem barulhento) e passou depois de uns quinze minutos quando voltou a si e tirou os óculos ao mesmo tempo que apagava a luz da escrivaninha para aproveitar as ultimas horas de sono que lhe restavam com a sirene de polícia que se aproximava como se fosse uma canção de ninar.

Foi acordada por um barulho estranho,subito,forte e alto."É um assalto",pulou da cama e foi checar todos os cadeados de sua casa,incluindo os das janelas,"nenhum marginal drogado vai entrar na minha casa".Com o taco de baseball em punho sentou-se na sua cama no escuro ainda e esperou anciosa por alguém que quisesse invadir sua casa.Ouviu chingamentos horriveis vindos do apartamento de baixo,uma voz meio abafada "assassinato!"ela pensou consigo.Esperou mais alguns instantes e enquanto acabava de discar o número da polícia ouviu as janelas se fechando com muito mais calma do que foram abertas.Deu o endereço e esperou debaixo das cobertas alguma coisa.

Estava na sua sacada fumando o terceiro cigarro seguido,de samba-canção e ouvindo o latido distante de algum cachorro com fome.Uma janela abriu de subito no prédio da frente,um rapaz jovem que ele nunca vira na vida andava de um lado para o outro fazendo gestos como se estivesse discutindo com alguém."Haha,todo mundo fica zangado quando 'falha' naquela hora não é,meu rapaz?!'.Com um ar sarcástico e um sorriso no rosto acompanhou a agonia do rapaz do apartamento da frente até que as luzes se apagaram,a janela foi fechada enquanto um carro de polícia virava a esquina à algumas quadras dali.

Teria sido uma ótima noite de sono se não fosse por uma janela que se abriu com raiva no prédio da frente,ela abriu bem de leve o olho esquerdo,sonolenta mas atenta a qualquer outro barulho que viesse em seguida,ouviu uma voz de homem e uns palavrões.Na ponta dos pés foi discretamente observar por uma fresta na cortina o que acontecia do outro lado da rua "Oh,é aquele bonitinho,que outro dia mesmo vi se mudando pra cá" olhou o horário no relógio em cima do criado mudo "hahaha tomara que esteja terminando com a namorada".Tinha uma visão parcial do rapaz que andava de um lado pro outro frenéticamente esmurrando a mesa,dando uma mordida no lábio inferior proferiu "haha adoro caras selvagens!".De repente tudo ficou quieto,as luzes se apagarem e a janela foi fechada com delicadeza,"Merda,eles se entenderam",fechou a cortina com um ar de desapontamento dando passos vagarosos em direção a cama até que ouviu a sirene da polícia "Ou não..hahaha".

Como sempre,carregava os jornais recém impressos para abrir a banca quando ouviu um rapaz com raiva abrindo a janela do prédio que ficava a poucos passos dali,olhou para cima "Ah,é o rapaz novo",palavras horríveis sairam daquela janela e a sombra do rapaz indo e vindo de um lado para o outro aparecia claramente na calçada."Drogas,é isso...só pode ser isso.Tudo nesse páis é culpa das drogas e desses jovens que não conseguem..."foi interrompido pela sirene da polícia no começo da rua e se apressou para abrir a banca e se refugiar lá dentro.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

salto alto

Tinha uma festa pra ir,ela nunca tinha comprado um sapato de salto alto na sua vida e a sua habilidade para andar sobre eles era tão grande quanto a de um cachorro andando de bicicleta.
Não importava,estava empolgada.Experimentou dezenas de pares de sapatos com saltos de várias alturas,tentava se adaptar e jurava pra mãe que conseguiria andar com um maior do que aquele de 5 cm mas a dona do cartão de crédito fez cara feia e depois de três passos ela mesma se convenceu de que o de 5 cm estava perfeito.
Foi à festa,conseguiu se locomover perfeitamente (com alguns tropeços delicados uma hora ou outra) e foi bom.
Voltou para casa tirou os sapatos e respirou orgulhosa,como se tivesse domado um cavalo bravo,os guardou de volta na caixa e foi deitar.No dia seguinte tinha escola,e na hora certa despertou se trocou,colocou seu tênis e foi pra aula.Na verdade,ela amava todos os seus pares de tênis,é confortável na verdade...enquanto aqueles saltos ficavam guardados na caixa.
De vez em quando,com o passar dos meses ela colocava aqueles sapatos e ficava admirando seus pés no espelho.Mas ao mesmo tempo em que aqueles sapatos a faziam sentir-se bem,eles mostravam que o tempo estava passando.Que agora não ficava muito frouxo como os de sua mãe quando ela era mais nova,os sapatos estavam lá bem juntos aos pés dela.Eram dela.Quando se deu conta disso,arrancou dos seus pés como se os machucassem jogou de volta para dentro da caixa e colocou seu tênis.

domingo, 22 de junho de 2008

No mercado com a minha mãe.

Gosto de ir ao mercado com ela pra olhar as pessoas,é um momento em que não tenho mais nada pra fazer a não ser esperar minha mãe voltar com as compras e colocar no carrinho que eu seguro com tanta "empolgação".
São situações engraçadas,como por exemplo outro dia mesmo em que uma mulher se aproximou de um casar que estava conversando,meio discutindo sei lá..o marido deve ter falado alguma besteira e a mulher estava meio que querendo chamar a atenção deles,ficava bem em frente o carrinho do casal mexendo nas frutas e olhando para trás para ver se alguém a reconhecia,até que numa olhada sem querer a mulher que discutia olhou pra bancada de frutas em que a outra estava mexendo e a reconheceu e a chamou pelo nome,a mulher olhou deu um sorrisinho azedo comprimentando a outra com um movimento de cabeça e o marido também..ficaram conversando um pouco mas ela com um tom de superioridade,não sei.Ficava olhando para os lados como 'estou atrasada,tenho mais o que fazer' sendo que foi ela quem queria tanto que eles prestassem atenção nela e a reconhecessem.Ri da cara do marido também enquanto elas conversavam,ficava virando os olhos e brincando com o saquinho que se usa pra por as frutas..arrumava o carrinho,totalmente desolado esperando profundamente que aquele maldito papo acabasse logo haha