quinta-feira, 11 de março de 2010

É desconfortável admitir que se foi...
Depois de misturado o amarelo, o azul sempre será verde.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O abajour se tornou meu sol. Não havia nuvens em meu quarto pálido.
Ao som minimalista da orquestra rodoviária, meus pensamentos eram embalados em pacotes de papel pardo e mandados para longe. Onde, quando alguém o recebesse, iria abrir e sorrir com apenas um canto da boca e pensaria em mim por uns 10 minutos. Já era suficiente.
Mesmo no inverno, gosto de deixar uma perna para fora do cobertor, gelada. É incrível sentir duas coisas ao mesmo tempo, mesmo agora, me sinto feliz e melancólica e não sei aonde quero chegar com esse papo mole.
Acho que não quero ir a lugar algum, tenho meu sol bem em cima do meu criado mudo, que está ao meu lado. Os outros planetas giram no teto do meu quarto, um ao redor do outro e gosto de acompanha-los com os olhos. Por que há necessidade de se ter um ponto fixo em um raciocínio? Eu raciocino em função do agora. Creio que chove de leve lá fora, ou talvez tenha sido algum outro instrumento que despertou no meio da música.
Em certo momento minha cama parece estar à deriva, com movimentos leves e tranquilos. Sempre imaginei isso quando criança, antes de dormir... que minha cama estava à deriva, à noite. Claro, porque já disse...meu sol é meu abajour e o alcance de iluminação dele se limita ao meu conforto. E meu conforto no momento não passa da sensação que se tem quando se abraça a toalha quentinha que foi deixada no sol, aguardando que eu saísse da piscina.
Agora é que me veio à cabeça, onde estarão meus sapatos que estavam guardados debaixo da cama? Se bem que não pode se chamar de guardado uma coisa que foi apenas empurrada pra um lugar escuro, fora do campo de visão. Meus sapatos não estavam guardados mas sim no aguardo. No aguardo do surgimento dos meus calcanhares pra fora da cama, no aguardo de serem puxados apressadamente para a claridade do abajour e serem calçados. Mas no momento prefiro ficar descalça, observando meus pés se moverem ao som da música (são bons dançarinos quando não estão se movendo com o resto do meu corpo).
Apesar dos meus dedos não agirem, os obrigo a se moverem, escrevendo.
Parece que minha mente se recusa a abrir, mede cada palavra que desperta com despreso.
Só o fato de ter começado dessa forma já me enoja...sempre que começo um texto é explicando que não sei sobre o que vou dissertar mas mesmo assim acabo fazendo e apago o começo onde explicava tal coisa.
Na realidade, o que realmente surgem à minha mente são frases e situações soltas...
Hoje por exemplo, me veio sobre a morte de alguém. Alguém que quisesse ser enterrado com flores sobre os olhos. Sempre anoto esse tipo de coisa pra tentar agrupar tudo algum dia, só que esse dia não chegou ainda.
O que é mais certo ainda, é que odeio escrever sobre mim. Assim, diretamente...odeio muito então não vejo motivos pra continuar escrevendo essa merda aqui.
Daqui a pouco eu volto e escrevo outra coisa.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

-Tudo bem?

Tudo bem? Então é assim que me pergunta, com essa cara fosca e esse olhar sem anseios? Quer mesmo saber o que se passar ou me pergunta por inescrupuloso polimento da nossa convivência?
Percebo que não quer me responder, não é? Tudo bem. TUDO BEM.
Insiste não com palavras mas parado a minha frente esperando uma resposta não é? O que? Esperava apenas por um 'sim, estou bem...e você?' se arrependeu agora? Pois sim! Agora é que vai ouvir, lhe direi detalhadamente como anda meu espirito, como perambula por entre as cortinas espessas dos meus pensamentos , como corre de um quintal para outro quintal repercutindo no meu dia a dia e até o motivo por qual lhe falo dessa forma.
Sim, lhe direi tudo...sem pestanejar, sem pausas, com todos o detalhamento que é devido. Eu vou te dizer sim, com o dedo na sua fuça se for necessário, se assim me convir. Te intupirei com minhas indagações sobre a vida e como me sinto perante todas as pessoas, todos os meus amigos. Direi até, se quiser ouvir...meus segredos. Se isso for esclarecedor de alguma forma para a tua pessoa, porque pela sua cara já não está te agradando...NÃO! Não diga nada. Se me perguntou uma vez como estou, se estou bem...agora ouça. E vai ter de ouvir tudo, sem gaguejar desculpas para se retirar nem fingir que tem hora marcada em algum lugar, pois aí sim, terá um motivo pra ter se arrependido. Ah, mas você pode fazer pior...pode sim. Falso interesse...acho que essa foi sua primeira motivação ao me perguntar isso, estou errada? Ora, nada tenho contra a tua pessoa...mas não se pode fingir uma coisa dessas, vê...se fingir se interessar pelo o que digo e não for verdadeiro - olha que percebo isso, seu imundo - VAIS TER UM PROBLEMA DE VERDADE.
Sim, terás. Pois não estou aqui de palhaço, nem para matar teu tempo...ora. Se me faz uma pergunta, é porque quer saber. Embora normalmente as pessoas extraiam as informações que desejam, impiedosamente como uma seringa que penetra no seu corpo, aparentemente para o seu bem e é retirado precisamente a informação necessária. Obviamente a informação não está na resposta para a pergunta sobre a sua realidade, a pergunta 'tudo bem?', o 'tudo bem' é apenas um pretexto, é só para não evidenciar a usurpação de quem pergunta.
Veja, mas mesmo assim, se ainda quer saber o que se passa comigo não leve a mal todas essas minhas indagações...não é voluntário. Estou me protegendo e te protegendo também. Protegendo-nos de nós mesmos. Ora, vejo que ficou impaciente...não fique. Quero muito conversar com você e dividir minhas aflições. Mas o momento agora não me parece bom...adeus.

domingo, 8 de novembro de 2009

-Ah, é que quando a gente se conheceu, enfim, você se lembra? Bom...eu não sei, foi um tempo bom pra mim...am...er...acho que é por que era Verão.Eu gosto do calor, às vezes, sabe...foi quando a gente se conheceu e tal...eu comecei a ficar mais feliz, minhas notas no colégio melhoraram e am...eu não sei bem por que foi que eu fiquei mais feliz aquela época, sabe...foi quando eu ganhei aquele livro do meu pai, éé...deve ter sido por causa do livro, eu lembro que fui te mostrar em seguida e você estava lá e am...era um livro muito bom.
-É, eu me lembro.
-Ah, você se lembra...bom, que ótimo.Você consegue imaginar o por que da minha felicidade? Ah eu não sei bem, de um tempo pra cá tenho sorrido mais e cantarolado enquanto faço minhas coisas hahahaha é uma coisa bem à toa, eu lembro de você com certa frequência, sabe...das coisas que nós conversamos , de um tempo pra cá...eu...bom...
-É, eu notei. Tenho ficado feliz também.
-Sério? Acho que é o clima, definitivamente...os dias estão bonitos e creio que...
-Acho que é porque a gente se ama.

domingo, 1 de novembro de 2009

Hoje eu vou relatar um sonho que tive essa noite e que foi no mínimo intrigante.

A cena que dou como o 'começo do sonho' aconteceu em uma vila que ficava em um campo verde, as casas se estendiam por entre e sobre as montanhas, não eram muitas...eu estava na varanda de uma delas, de frente para um lago e me lembro de ficar preocupada sobre apreciar aquilo depressa porque tinha que ir embora...
A outra cena já se passava dentro de uma casa (deduzi que era a casa da varanda em que estava) e eu abria as gavetas de uma cômoda procurando minhas coisas pra ir embora, tinha alguém junto comigo mas eu não me lembro quem era...até que eu achei um baú com muitos brinquedos da minha infância.Eu peguei um por um e abracei cada um deles, mesmo sabendo que eu estava atrasada para partir...minha mãe entrou no quarto e me avisou para andar logo e eu o fiz.
Depois disso me vi andando descalça com alguém numa estrada de terra fofa, conversando sobre qualquer coisa quando eu vejo um chave antiga no chão e no mesmo momento que eu fui pegar a chave pra guardar apareceu um menininho de mais ou menos uns sete anos me perguntando se eu tinha visto a chave do celeiro dos quadrúpedes (sim, ele disse isso) aí eu peguei a chave que estava no chão e achei mais outra, uma chave nova e dei as duas a ele, que foi embora.
Após essa parte do sonho, eu estava dentro da casa desse menininho ( que se chamava Estevan) fazendo carinho em sua cabeça e ele me abraçava muito, teve um momento em que ele me abraçou e soletrou algo ao meu ouvido, não consegui entender o que era...parecia que eu tinha que partir outra vez.Vi minha priminha em um canto da casa, sorrindo, a peguei no colo e mordi sua barriga depois a deixei no chão e fui embora para a casa da Bruna, minha amiga que tinha ido me buscar.Mas ao chegar lá a casa dela era uma mansão gigantesca com muitos corredores e escadas,havia muitas pessoas andando de um lado para o outro para irem para as suas casas, como se todas elas morassem naquela mansão...eu não reconheci ninguém. Até um momento em que a bruna me disse para irmos para o quarto dela e saiu andando na minha frente e eu tentei segui-la mas ela acabou se misturando às outras pessoas, fazendo com que eu a perdesse de vista...me perdi em sua casa.Andei mais um pouco, sozinha e chamando pelo o seu nome e encontrei uma escada muito alta e resolvi descer por lá, mas os degraus eram extremamente altos e com um piso muito curto, o que dificultou muito a minha descida mas mesmo assim eu fui...haviam crianças descendo junto comigo.Quando finalmente faltavam poucos degraus para eu terminar de descer a Kakau aparece, chegou ofegante e parecia que tinha vindo correndo ao meu encontro e descia por uma escada muito mais simples...eu sai da escada que percorria e terminei a descia em sua companhia.Quando chegamos lá em baixo, encontramos meu irmão e fomos pra um lugar com muitas lojas, de uma delas minha mãe saiu e ficamos juntos.

aí eu acordei haha

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Eis que tenho uma má notícia, que me foi contada de sopetão sem questionar se queria ser ouvida.Entrou pelos meus ouvidos e parece que lateja nos caminhos e vertentes de minha mente tentando encontrar, em vão, a saída.
Eis que tenho uma má notícia, desmoronei em cima de mim mesma, agora nem sei mais o que se passa.
Eis que tenho uma má notícia, não consigo sentir dor apesar de tudo isso.Devia? Parece que a sensação de desnorteamento seria a mais provável na posição em que me encontro mas quanto mais me dou conta dos fatos mais me sinto em meu lugar.Em meu lugar dentro de mim, sem questionamento.