segunda-feira, 6 de abril de 2009

Teoria dos Joelhos

Não sei.Estava agora pouco no banho e me veio à cabeça sobre os joelhos.Não se cita normalmente nada sobre joelhos estéticamente bonitos ou feios,são apenas joelhos.Pensei comigo mesma se conseguiria identificar um joelho bonito,e conclui que não.Aí me perguntei se conseguiria apontar um joelho feio,e eu tive quase certeza de que conseguiria.Tive a visão do joelho feio em minha mente,ossudo,surrado,com algumas cicatrizes de uma infancia bem aproveitada.Não era bonito.E tendo visão de um joelho feio,soube que poderia pensar em um bonito.Ou seja,tive a visão de um extremo e consegui visualizar o outro.Acho que extremos estão sempre ligados um ao outro,se você tem conhecimento de um,você sabe como é o outro.Consegui adaptar esse pensamento em vários outros contextos,não tenho certeza da finalidade...mas achei interessante.
Alias,isso já deve estar escrito em algum livro,algum lugar...alguém já deve ter pensado nisso.Ah,quantas coisas que penso que acabo não escrevendo também...

sábado, 28 de março de 2009

não gosto de pão de queijo

Pessoas estranhas serão sempre pessoas estranhas.E elas existem aos montes,sempre vai ser assim...a não ser que por algum motivo elas deixem de ser estranhas.Tem pessoas que nunca são estranhas,não que eu quisesse me aproximar delas,porque eu não o faço mas elas realmente não são estranhas.Nunca por causa do jeito que elas se vestem,mas por conta do timbre da voz..de enrolar mechas de cabelo nos dedos,pela forma que rói as unhas ou que gasta a sola do tenis.Não classifico todos assim,claro,cada um tem alguma coisa familiar.
Costumo me enganar um pouco sobre essas coisas de pessoas próximas a mim,na maioria das vezes tenho uma impressão boa sobre pessoas que não se parecem nada comigo,mas não importa.De uma forma ou outra acabo conhecendo os que eu não fui com a cara e percebo que somos parecidos.Sinceramente,eu não iria simpatizar comigo mesma se eu não fosse eu.

sábado, 21 de março de 2009

Sempre nos despedíamos assim,com os dedos entrelaçados até que o espaço entre nossos corpos fosse maior do que o comprimento de nossos braços.

sábado, 7 de março de 2009

Odeio fazer visitas forçadas,mas quando é em relação à família a gente precisa fazer um esforço...essa maldita diplomacia que a sociedade impõe.

Ah,fulana virá me visitar hoje,aquele sorriso sínico e a conversa rasa.Acho que nem de cigarros ela gosta,cadê o meu maço?

Aquela chaminé humana,sempre com aquele ar blasé..sei que é minha prima e que e que está desempregada,a coitada não consegue se firmar em emprego nenhum...deve estar se sentindo mal...ou não.É sempre tão fria...

Sempre assim..acontece alguma coisa na vida de alguém e a família toda se comove.Perdi um emprego pela oitava vez,quem liga?Não preciso de apoio moral pra ouvir o mesmo papo de que sou capacitada e consigo outra coisa...ou papos místicos de que "não era pra ser assim..."

Ah,se minha mãe não tivesse insistido tanto...não sei porque,mesmo na infância num me dava tão bem com ela...é aquela visão que os adultos sempre tem,são priminhas e tem a mesma idade...vão brincar de bonecas.

A campainha...deve ser a criatura.

Tomara que não esteja em casa,ou tenha tomado uma overdose de depressivos..por favor por favor por favor.

-Er..Olá,faz tempo hein
-Oii...pois é,vim ver como você estava.

Deus,que casa bagunçada.
Ela num quer mesmo que eu sente nesse sofá,certo?Vou contrair alguma coisa...

Foda-se você dondoca..cadê meu maço de cigarros?

Ah não...cigarros não..lá se vão 25 minutos entre engasgos e preocupação fingida.

Lá se vão 25 minutos de puro regozijo interno e papo banal.

-Foi bom te ver,preciso ir agora...
-Ah...certo.A gente se encontra por aí algum dia.

Ela nem finge gostar da minha presença...porque só eu tenho que ser diplomata nessa merda?

Foda-se dondoca,vai embora.


ah,que alivio.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Estava parada,olhando como sempre.
Ele passou e eu nem sei dizer
o que exatamente me atraiu

O sorriso,pra variar eu comecei a checar os defeitos
como nunca ninguém me parecia interessante
achei que seria da mesma forma
mas eram interessantes

Os defeitos faziam com que ficasse do meu jeito.

Sentou ao meu lado,chegou perto senti seu dedo
em minha bochecha.

Um cílio,eu esquivei e me afastei
me pegou de surpresa,não estou acostumada
não disse nada..só estremeci ele proferiu alguma coisa.
e eu continuei

Em silencio.
e ele também
ficamos assim um tempo,até que me disse que tinha que ir

Era tarde.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

ele sussura toda hora várias coisas,a gente que não ouve.

O vento.
Comprar um banquinho pensando em quantas vezes você vai topar o dedinho nele;anotar coisas na palma da mão pensando em quanto tempo ela vai ficar ali até começar a se desfazer;olhar pra uma calça velha e procurar todos os rasguinhos e desgastes de tempo,imaginando como eles foram acontecendo;contar pintinhas e tentar achar padrões pra elas;dias amarelos;dias cinzas;pensar em analogias filosóficas com pedrinhas jogadas no meio do asfalto;tentar ler o pensamento das pessoas quando cruzam com você na rua;ler expressões;ler movimentos;ter uma calça muito listrada;eu te amo;ver o desgaste das solas do tenis e perceber que ele é maior do lado direito inferior;covinhas;sardinhas;cachinhos;bochechas;chuva;por quantas mãos essa nota já passou?;em que rostos esse vento já bateu?